sábado, 5 de janeiro de 2008

O Etílico Fim de Policarpo

Dizem que palavras sábias logo pela manhã adoçam o resto do dia de qualquer ser humano, Policarpo discordava dessa teoria, pois alem de ser diabético, odiava qualquer tipo de conversa pela manhã, a primeira pergunta ele tolerava, na segunda o sangue ia para cabeça, na terceira ele descambava para total ignorância aquela manhã quente de Janeiro prometia um belo domingo, mas a tristeza já cercava a alma de Policarpo deste o dia anterior em que soube da morte de um grande amigo, que fora atropelado sexta a noite na porra da auto estrada que levava para o litoral como dizia Policarpo o rio de asfalto frio que cortava sua cidade, e o enterro seria realizado naquela manhã de domingo, Policarpo foi ao velório no sábado o cemitério era um desses cemitérios jardins que começaram a surgir na década de oitenta e se espalhara por quase todas as cidades da região metropolitana de São Paulo, Policarpo tomou um café requentado tirou o carro da garagem e se pôs a caminho, era oito e trinta da manhã quando Policarpo adentrou com sua variante sete dois o estacionamento do cemitério, um lugar bucólico que transmitia muita paz, o cemitério era em um vale com um resquício de mata atlântica e um lago dava o toque final ao cenário, Policarpo sentiu um frio estranho devido aquele silêncio sepulcral, se aproximou de alguns amigos comum ao morto e entabularam a mesma conversa que corre em qualquer velório, que o cara era pedra noventa, passara alegre no bar, e outras façanhas praticada pelo agora saudoso defunto,Policarpo se cansou daquela conversa e partiu em direção ao portão do cemitério, pois havia um bar próximo á entrada, bar que ele já frequentara em outros velório inclusive com o morto em questão, chegou junto ao balcão e pediu sua usual cerveja, mas a tristeza daquela manhã de domingo e a amizade pelo irmão de fé que se fora, fez com que ele pedisse ao dono do bar uma pinga de alambique no qual foi rapidamente atendido, comeu um pastel, tomou outra cachaça, terminou com a cerveja pediu outra acompanhada de mais uma purinha e arrematou o pedido com mais cachaça, ele não era afeito a beber destilados, sua praia era a cerveja e aquelas doses subiram de forma vertiginosa para cabeça de nosso amigo, que retornou ao cemitério, agora emotivo pelo efeito da bebida, entrou no salão onde seu amigo estava sendo velado, comprimentou os irmão do defunto, se postou do lado do caixão que estava lacrado, e com os olhos fechados iniciou sua oração pagã, pois não tinha nenhuma religião e até nutria certo ódio por elas, pediu paz ao espírito do amigo e que se houvesse algum Deus coordenando a porra dessa vida que parrasse com essa violência e tanta morte então se entregou aos pensamentos tristes e as alegres lembranças, quando foi interrompido por duas senhoras que vinham do velório ao lado, e ao verem o caixão lacrado cutucaram Policarpo e perguntaram em voz alta porque o caixão estava lacrado, Policarpo desperto do seu quase transe respondeu em voz alta

_É que ele não quer ver a cara das duas: todos olharam para Policarpo as velhas partiram entre resmungos para o outro velório, Policarpo fechou novamente os olhos, riu por dentro e conversando com o amigo defunto.

_Sinto muito mano, mas essa eu não eu não podia deixar passar: dando uma gargalhada silenciosa que aliviou sua alma, depois de acompanhar o enterro, voltou com sua variant sete dois e mais dois camaradas parando em tudo que que era boteco e tomando todas que podia, no final de semana seguinte mais um velório, e eu estava lá, ao lado do corpo do amigo Policarpo, vitimado por uma forte cirrose.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

O Tal Messias

O sol era forte, mesmo sendo tarde o calor inclemente me levara ao bar do Zé Preto para uma cerveja bem gelada, o movimento fraco pois as empresas não tinham despejado seu funcionários para o pit stop da cachaça noturna, Zé estava sentado do lado de fora do balcão numa preguiça que vem depois do almoço sua radiola tocava vaquejada coisa da sua terra natal no sertão bahiano, o um unico cliente se apoiava no balcão prostado diante sua cachaça seu nome, até então para mim era Messias mas o até então se altera devido a conversa que segue a minha entrada no bar
- Ai Zé, como vai o molho?
-Tá foda João, o dinheiro sumiu, tá uma paradeira geral.
- Eu que o diga meu irmão ja corri uns trinta quilometros fazendo cobrança e só ganhei promessas para daqui dois dias.
-Sei como que é meu caderno ja tem pendura de três meses e nada ja tô cortando todos os fiados.
- É Zé tá foda, mas salta aquela breja gelada para tirar a quiaca desse calor
- É prá já
O Zé trouxe uma breja vestida de noiva na temperatura certa para refrescar aquele dia de cão passado dentro de um carro velho andando pelas quebradas da minha cidade, fazendo cobrança de aluguel, o que mais fodia era as porras das escadas, a cidade era morro atrás de morro e cosequentemente escada atrás de escada. meu joelho velho detonado no futebol ardia, a roupa empapada em um suor ácido, sorvi o primeiro gole e neste foi o primeiro copo enchi novamente dei um gole que bateu na metade e entabulei uma nova conversa
- To precisando ver o Salsicha , pois o filho da puta fez uma bosta de trampo em uma casa e a velha que que eu pague um novo pedreiro.
- Faz tempo que eu não vejo esse cara, sumiu.
- E pior que eu nem sei o o nome do cidadão, para tentar puxar um telefone ou um endereço
- Eu Tambem não sei não
- Porra Zé tem uns caras que eu conheço a mais de trinta anos e só sei os apelidos nem o primeiro nome certo eu sei, tem o Porungaba, Paçoca, Tição, Pagodinho, Rato, Galango, Piruska, mas não sei o nome de ninguem só o apelido, até de você, te chamo de Zé Preto mas não sei o seu nome, e nem sei por que Zé Preto se tu é branco,
- João meu nome é Zé Antônio, e Zé Preto e porque eu era vigilante noturno e só andava de preto ai era o Zé de preto para lá Zé de preto para cá e no final ficou Zé Preto, mas eu tambem fico nessa, eu tenho um monte de clientes que e só apelido, nem tem como saber, por exemplo o Messias aqui a gente sabe que o nome dele é Messias por que Messias é nome.
nessa Messias entra com um forte sotaque mineiro e já destrincha a observação do Zé sobre seu nome.
- O Zé, Meu nome num é Messias não, Messias é Apelido Meu Nome é e Dino, Dino da Cruz.
o Zé lançou um olhar de Zé eu eu cai na risada.
- Então seu nome não é Messias ? inconformado o Zé perguntava
- Num é não Zé, é Dino
E na curiosidade eu perguntei o porque desse Dino, pois isso sim que era apelido ele falou que o seu pai quando saiu para batiza-lo a sua mãe falou o nome que era para por no menino mas o porra do velho encontrou uns amigos que queriam mais é um motivo para beber, e um bom motivo era o nascimento de um filho de um amigo, beberam até quase a hora limite do cartório fechar, quando o velho chegou em frente a escrevente nem se lembrava mais do nome que era para colocar no menino, buscou na mente enovoada pela cachaça e nada saia de lá pensou em colocar o seu nome acrescido de filho , mais dois Galdinos na cidade ele achou demais então teve a idéia de colocar só parte do seu nome Gal era nome de mulher, então ficou Dino, mas a familia nunca o chamou pelo nome de registro e sim pelo nome que sua mão queria o tal de Messias