Dizem que palavras sábias logo pela manhã adoçam o resto do dia de qualquer ser humano, Policarpo discordava dessa teoria, pois alem de ser diabético, odiava qualquer tipo de conversa pela manhã, a primeira pergunta ele tolerava, na segunda o sangue ia para cabeça, na terceira ele descambava para total ignorância aquela manhã quente de Janeiro prometia um belo domingo, mas a tristeza já cercava a alma de Policarpo deste o dia anterior em que soube da morte de um grande amigo, que fora atropelado sexta a noite na porra da auto estrada que levava para o litoral como dizia Policarpo o rio de asfalto frio que cortava sua cidade, e o enterro seria realizado naquela manhã de domingo, Policarpo foi ao velório no sábado o cemitério era um desses cemitérios jardins que começaram a surgir na década de oitenta e se espalhara por quase todas as cidades da região metropolitana de São Paulo, Policarpo tomou um café requentado tirou o carro da garagem e se pôs a caminho, era oito e trinta da manhã quando Policarpo adentrou com sua variante sete dois o estacionamento do cemitério, um lugar bucólico que transmitia muita paz, o cemitério era em um vale com um resquício de mata atlântica e um lago dava o toque final ao cenário, Policarpo sentiu um frio estranho devido aquele silêncio sepulcral, se aproximou de alguns amigos comum ao morto e entabularam a mesma conversa que corre em qualquer velório, que o cara era pedra noventa, passara alegre no bar, e outras façanhas praticada pelo agora saudoso defunto,Policarpo se cansou daquela conversa e partiu em direção ao portão do cemitério, pois havia um bar próximo á entrada, bar que ele já frequentara em outros velório inclusive com o morto em questão, chegou junto ao balcão e pediu sua usual cerveja, mas a tristeza daquela manhã de domingo e a amizade pelo irmão de fé que se fora, fez com que ele pedisse ao dono do bar uma pinga de alambique no qual foi rapidamente atendido, comeu um pastel, tomou outra cachaça, terminou com a cerveja pediu outra acompanhada de mais uma purinha e arrematou o pedido com mais cachaça, ele não era afeito a beber destilados, sua praia era a cerveja e aquelas doses subiram de forma vertiginosa para cabeça de nosso amigo, que retornou ao cemitério, agora emotivo pelo efeito da bebida, entrou no salão onde seu amigo estava sendo velado, comprimentou os irmão do defunto, se postou do lado do caixão que estava lacrado, e com os olhos fechados iniciou sua oração pagã, pois não tinha nenhuma religião e até nutria certo ódio por elas, pediu paz ao espírito do amigo e que se houvesse algum Deus coordenando a porra dessa vida que parrasse com essa violência e tanta morte então se entregou aos pensamentos tristes e as alegres lembranças, quando foi interrompido por duas senhoras que vinham do velório ao lado, e ao verem o caixão lacrado cutucaram Policarpo e perguntaram em voz alta porque o caixão estava lacrado, Policarpo desperto do seu quase transe respondeu em voz alta
_É que ele não quer ver a cara das duas: todos olharam para Policarpo as velhas partiram entre resmungos para o outro velório, Policarpo fechou novamente os olhos, riu por dentro e conversando com o amigo defunto.
_Sinto muito mano, mas essa eu não eu não podia deixar passar: dando uma gargalhada silenciosa que aliviou sua alma, depois de acompanhar o enterro, voltou com sua variant sete dois e mais dois camaradas parando em tudo que que era boteco e tomando todas que podia, no final de semana seguinte mais um velório, e eu estava lá, ao lado do corpo do amigo Policarpo, vitimado por uma forte cirrose.
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