quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

O PAPAGAIO CANTOR

Hoje eu tenho certeza que até os deuses conspiram contra minha pessoa, hoje foi a prova final, nada mais resta a não ser me amargurar, sorver toda bebida do mundo para morrer de cirrose, pular da ponte ou quem sabe um tiro na cabeça, vou relatar a vocês o fato que me faz pensar nessa saída drástica para minha vida, estou desempregado á vários anos o que me levou a viver de subempregos, a dita economia informal, pintar portões, limpar terrenos, catar sucata, e carregar entulhos, a merreca que ganhava com isso servia para manter a casa de forma até que satisfatória para quem tem uma vida simples, comer tipo dois, carne de segunda, carcaça de frango, frutas da época, bom, eu até viveria assim mas minha mulher de jeito nenhum, a filha da puta gastava cem reais todo mês na cabeleireiro, mais uns oitenta com produtos de beleza, e a conta telefónica chegava nos cento e cinquenta, a porra da mulher não fazia nada, e só exigindo do mané aqui os confortos de uma dondoca, sorte que a casa era própria coisa que eu adquiri quando ainda era solteiro e esse bairro não tinha porra nenhuma, senão meu irmão ai é que eu estava fodido, bom mas vamos a história.

A um ano atrás um amigo meu da juventude me encontrou e descobriu o enrosco que eu estava, falou então que a mãe dele morrera de forma trágica em sua própria casa, tendo seu corpo cortado ao meio pois subira no vaso sanitário e este quebrou sob o seus cento e vinte quilos, ele nem aventava a ideia de ir mais aquela casa, e me deu a chave para que de lá eu pudesse tirar tudo que lá estava e vender para apurar um dinheiro, e quem sabe até montar um comercio, fui até Guarulhos onde ficava a tal casa uma construção antiga, e cheio de coisas antigas vasos com plantas que eu passei sob consignação a uma loja de paisagismo e os móveis, panelas e objetos de decoração e eletrodomésticos pus na garagem de casa e fui vendendo, apurando uma boa grana tanto que até comecei a comprar de terceiros e revender moveis e tudo relativo a coisas usadas para o lar, na casa também tinha um fusca setenta e dois, liguei para ele ele falou que podia ficar com o carro, tudo que estava na casa era rigorosamente meu, até o papagaio de estimação da velha, e esse papagaio é que me leva a pensar a dar cabo de minha vida, levei um mecânico pra fazer o fusca funcionar, com o carrinho em cima pus o papagaio dentro do carro, e rumei para a minha casa em diadema, passando antes na imobiliária para deixar a chaves da mesma para a venda. a chegar na minha casa o papagaio avistando minha mulher deu um assobio desse de cantada e emendou logo de cara `que gatinha´ minha mulher ficou fascinada com o bichinho que a partir daquele dia começou a ter um tratamento melhor do que eu naquela casa, ela passava o dia inteiro ouvindo Roberto Carlos e fazendo carinho naquela ave, que toda vez que me via soltava pequenas ofensas , o bicho feio chegou, cachaceiro e outra idiotices de papagaio, depois de seis meses qual não foi minha surpresa, estava assistindo o programa do faustão e apareceu minha mulher com o papagaio, o filho da puta cantou uma musica do Roberto Carlos inteira foi ovaciona pela plateia, naquele dia mesmo ganhou vinte mil reais, e assinou um contrato de exclusividade com a globo, mas com permissão para qualquer tipo de comercial, a mulher comprou carro importado, gaiola de ouro para a ave, e a ração também era importada, mulher nem mais olhava para mim, um dia eu fique injuriado com a paradeira da loja, resolvi ir para casa mais cedo, no quarto da mulher a ave cantava cavalgada do Roberto, com alguns intervalos, e nesses intervalos a mulher gemia, abri a porta sorrateiramente, e vi a ave cantando e lambendo o grelo da filha da puta, que se contorcia de prazer, nem quis olhar mais, fui para cozinha e fique sentado bebendo cerveja, liguei o radio para não ouvir a voz do papagaio, porra de merda a cidade mais fodona do pais não tem uma rádio de jaz, e mesmo sendo corneado por um papagaio você tem que ouvir cada merda na programação, depois da terceira cerveja a mulher aparece com o infeliz do papagaio no ombro, eu já emendei logo a primeira frase

_Porra mulher, tu tá trepando com essa porra de passarinho, a mulher falou que não era passarinho era ave, e que eu respeitasse mais o coitado que ele era um artista sensível; sensível e chupando aquela porra de buceta fedorenta, parei com tudo e falei que ia juntar minhas coisas e ir embora, peguei minhas roupas pus na mala, e quando ia saindo ouvi o papagaio

_ pode ir embora que eu assumo a casa, seu otário!

Aquela frase bateu no fundo, pensei em voltar e matar aquela ave tagarela, mas a filha da puta da mulher ai é que iria me foder. então vim ate esse bar e comecei a beber," deixa que eu assumo a casa", vai vendo só.

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